
Silêncio.
"Tem alguém aí? Aí... aí... aí..."
Ouço uma voz conhecida, que responde (ou pergunta): "Tem alguém aí? Aí... aí... aí..."
Perguntas...
Palavras...
Ecos...
Repetições das repetições enchem o silêncio num belo fenômeno físico.
Palavras se cruzam, rebatem nas paredes e voltam a se cruzar, numa coreografia sonora: "Tem... Aí... Alguém... Ém... Aí... Tem... Alguém... Aí... Tem alguém aí? Aí... aí... aí..."
A cada rebatida a intensidade aumenta e, de belo ballet, o som se transforma em trilha que beira o terror: "Tem... Aí... Alguém... Ém... Aí... Tem... Alguém... Aí... Tem alguém aí? Aí... aí... aí..."
E o silêncio grita: Alguém! Responda, por favor!
E a voz do silêncio se funde ao som entorpecente, que, agora, berra em meus ouvidos: Tem... Aí... Por favor... Alguém... Ém... Aí... Responda... Tem... Alguém... Onda... Favor... Aí... Tem alguém aí? Aí... aí... aí...
Chega! Quem perguntou primeiro? E, quem deve responder?
Tem alguém aí?
Silêncio.